O Novo Dicionário da Língua Portuguesa define Maçonaria como: "Maçonaria - Sociedade parcialmente secreta, cujo objectivo principal é o de desenvolver o princípio da fraternidade e da filantropia; associação de pedreiros-livres, Franco-maçonaria".
A esta definição, nós maçons acrescentamos: Trata-se de uma sociedade Iniciática exclusiva para Homens cujo objectivo consiste, unicamente, em ajudar o homem e dar-lhe acesso à Iniciação, ao conhecimento, para que este continue a edificação do seu Templo interior, isto é, para que ele descubra o seu "Eu" oculto, e ao mesmo tempo, para que ele continue a edificação de seu Templo exterior - isto é, para que ele prepare o advento de uma sociedade mais humana, mais justa e mais esclarecida.
E é fundamentalmente nesta filosofia, que nós maçons apesar do formigueiro e do ruído incessante da cidade nos mantemos fiéis ao sagrado silêncio do nosso Templo. O qual é a loja e nele são as palavras, os gestos e o vestuário os quais têm um significado próximo do divino e longe do terreno, o que faz com que se perdure a crença no Ser superior, criador dos céus e da terra, a que humildemente e veneravelmente nós chamamos do “Grande Arquitecto do Universo”.
Embora na generalidade os profanos considerem a Maçonaria uma Sociedade secreta, dentro da realidade actual, esta não é uma Sociedade SECRETA, mas sim uma Sociedade DISCRETA, pois nós maçons entendemos, que tudo a que diz respeito a esta nobre e respeitável Ordem está reservado e somente interessa à aqueles que nela participam e façam parte. Como sabeis, existe realmente uma grande diferença entre estes dois conceitos. Como SECRETA dever-se-ia provavelmente entender, que se esconde na Maçonaria algo que não pode ser revelado no mundo exterior a esta, algo provavelmente de maléfico, de hediondo, algo de muito perigoso. O que não é verdade, a Maçonaria apenas reserva aos seus membros os seu princípios, as suas tradições como também a sua própria maneira de agir, onde o universo é o homem e o seu bem estar. Embora existam hoje muitas publicações sobre a história desta secular Instituição, nas quais basta uma simples leitura para que esta revele os seus propósitos e as suas ideias, mesmo assim, teima no mundo exterior a permanecer a ideia do secretíssimo. Mas, só pelo facto de existir estas publicações de acesso fácil a qualquer leitor e a Ordem estar inscrita nas instituições públicas a esse fim consignadas, é razão suficiente para esta ser considerada uma Sociedade Discreta.
Mas na verdade, não há fumo sem fogo. Nós somos os herdeiros de uma história marcada pela resistência e pela clandestinidade, em que não raras vezes fomos acusados de bruxaria e vistos como um perigo para o regime vigente e de muito perigosos para todos que detinham o verdadeiro poder das nações mais interessados na exploração do homem. Por este facto, alguns de nós ainda hoje continuam a ter medo de dizer que são maçons, preferindo actuar em nome da Ordem na sombra da clandestinidade e fora da ribalta das luzes.
Hoje, aparentemente não há razão para este temor, tanto mais, que depois de décadas de luta pelo reconhecimento do poder político, esta conseguiu, com o 25 de Abril, o seu reconhecimento por este poder. Embora esta fosse uma aspiração antiga, a hora não é de felicidade para nós maçons, pois a maçonaria portuguesa hoje está dividida entre o que poderemos considerar de Conservadores e Progressistas, Laicos e Crentes,
As nossas divergências são de uma dimensão profunda, quase gigantesca, pelo que falarmos em união entre as várias obediências é falarmos numa utopia ou de um sonho. Pois as nossas divergências, vão desde a crença em Deus aos assuntos passíveis de serem discutidos em loja. O Grande Oriente Lusitano, velho bastião da maçonaria portuguesa, filho do movimento republicano e seguidor da linha socialista, continua a defender uma maçonaria laica e despojada de qualquer livro sagrado, pela razão de não limitar a margem de manobra dos maçons, segundo a opinião dos seus membros, os quais dão como razão para esta sua posição, o facto de que “o maçom é um homem mais livre do que o homem comum”. Assim, estes nossos irmãos não acreditam em Deus, aceitam ter mulheres na instituição (embora em lojas próprias) e discutem vivamente a política da ordem do dia, havendo mesmo quem diga que é nas suas reuniões que se decidem muitos dos lugares de destaque da vida pública e partidária. Estes nossos irmãos são adeptos da linha francesa, jacobina e rebelde em relação aos textos fundamentais da maçonaria. Em face destes factos, o Grande Oriente Lusitano pode ser conotado com a facção mais progressista e de facto este ao longo da história da instituição, sempre se digladiou contra a linha marcadamente conservadora e rictualista. Foi esta linha que, em 1989, se separou do Grande Oriente e decidiu iniciar em Portugal a maçonaria regular através da G.L.R.P., a qual é uma fiel seguidora do modelo inglês, conservador em relação aos princípios constitucionais da ordem definidos há muitos séculos: crença em Deus, proibição de discutir assuntos políticos ou religiosos em loja e proibição à entrada de mulheres.
Em suma, nós somos a maçonaria dos novos tempos, que embora conservadora e de princípios medievais, se despolitiza, se reforça nos seus rituais, e que ressuscita a crença em Deus e abre os braços a todos os credos e religiões. Nós acreditamos na imortalidade da Alma e condenamos a discussão sectária de natureza política ou religiosa. Nós Procuramos unir a espécie humana pelos laços do amor fraternal, por isso a Maçonaria cumpre a lei básica de qualquer credo religioso válido.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
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