sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Solestício do Inverno

Meus irmãos em todos os vossos graus e qualidades, minhas encantadoras cunhadas, Exmas. convidadas e Exmos. Convidados, o próximo dia 25 de Dezembro será o dia mais pequeno do ano, dado que os dias seguintes e até ao mês de Julho começarão a crescer, dois minutos em cada dia, segundo os cientistas. Portanto no dia 25 de Dezembro festeja-se o Solestício de Inverno. Aliás, festejo este que data dos primórdios da nossa civilização. Pois, os adoradores do Sol remontam às épocas mais antigas da História da humanidade. Assim, tanto para testemunhar as origens ancestrais deste culto, como para manifestar quanto esta divindade foi preponderante nas crenças ancestrais, temos a civilização egípcia que adorava o deus Ra; a assíria que venerava o deus Shamash; e mais tarde a civilização celta e a civilização gaulesa que adoravam o deus-sol. Aliás, estes cultos profanos são denunciados nas Escrituras, nomeadamente em Ezequiel 8.16, quando diz:
"Estavam à entrada do Templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, cerca de 25 homens de costas para o templo do Senhor, com os rostos para o Oriente; e eles adoravam o Sol virados para o Oriente." . Meus Irmãos quem seriam estes homens que veneravam a luz que vinha do Oriente? Eu presumo quem seriam! vós também.
Como adoradores de deuses inspirados no Sol temos ainda, os Persas, dos quais conta a lenda, que no dia que corresponde ao nosso 24 de Dezembro queimavam o seu deus manufacturado de um tronco de árvore; isto depois de já terem feito um outro. Pois, pensavam que com o novo deus em vigor, os dias começavam a aumentar, uma vez que o seu deus jovem estava cheio de vigor para produzir dias maiores. Então, adoravam-no com diversas e aparatosas solenidades.

Os egípcios chegaram mesmo a construir os seus templos orientados de modo a que o nascer do Sol ocorresse entre os dois pilares da entrada, os quais eram encimados pelo sinal "neter", uma forma simbólica de falcão real, que representava o deus-sol. O Egipto primitivo empregava ainda menires indicadores deste. No entanto, séculos mais tarde, passou a utilizar o obelisco para consagrar os seus cultos ao Sol. O mesmo aconteceu com os menires bretões, cujo estudo da sua orientação, tem demonstrado o seu significado cronográfico. Pois, as unidades de Stonehenge, na Inglaterra e a de Kergonan na Bretanha, constituem verdadeiros templos solares.
Por sua vez, entre as tribos Maias, da América do Sul, e em particular a dos Huichol, esses mesmos raios solares eram representados pela flecha, vector ou mensageiro das aspirações humanas junto de Talé-houari, o seu deus-sol".
As civilizações gregas e romanas também introduziram nos seus costumes, festejos dedicados ao deus-sol, denominados NATAALIS SOLIS INVICTI, ou seja: "o nascimento do sol invencível". Estas festas, denominadas “saturnais”, eram celebradas de forma idêntica à dos persas, as quais decorriam entre o dia 17 de Dezembro até ao dia 24, e nelas o povo entregava-se às mais incríveis depravações, com grandes orgias, muitos dançares, e flagrante loucura. Por isso, estas festividades pagãs estavam profundamente arreigadas nos costumes populares, e eram muito difíceis de serem abandonadas pelas populações, mesmo que a influência "cristã" oficial o impusesse a tal.

Por outro lado, a festa germânica pagã do Solestício do inverno, a YULE, tinha como costumes principais os grandes banquetes, a folia, a troca de presentes, os círios acesos, as achas de madeira, os enfeites e as árvores. Costume este, que veio a dar origem à nossa conhecida arvore de Natal.
Assim, quando Constantino substituiu os festejos de sábado para domingo, (em inglês sunday, isto é, dia do sol) foi para agradar aos pagãos adoradores do Sol. E a influência do maniqueismo, que identificava o Filho de Deus com o sol físico, proporcionou a esses pagãos do século 4º, agora convertidos em massa ao cristianismo, o pretexto necessário para chamar á sua festividade pagã de 25 de Dezembro, o dia de nascimento do «filho de Deus.
Na verdade, durante os dois primeiros séculos da era cristã, a igreja não fazia ideia de qualquer festejo para comemorar o nascimento de Jesus Cristo, pois ele não dera qualquer mandamento para tal, nem mesmo aos apóstolos alguma vez o recomendaram. Mas, no ano de 406 foi fixada a data de 25 de Dezembro a fim de cristianizar as grandes festas pagãs.

Em suma, a data do nascimento de Cristo viria a ser fixada no dia 25 de Dezembro, sobretudo por razões socio-culturais. Pois, para além de muitos deuses terem também nascido a 25 de Dezembro, comemorava-se e festejava-se o deus-sol. Razão, porque por decreto do papa Libério, no século 4º, decretou que o dia 25 de Dezembro passasse a ser a festa do "Dies Natalis Domini. E como a festa passou a ter origem romana, aquela estendeu-se às igrejas do império, embora com algumas dificuldades, sobretudo no Oriente. Por sua vez, no ano 527 o imperador Justiniano decretou então ditatorialmente que se celebrasse a festa do Natal a 25 de Dezembro. Apesar de pregadores cristãos do Ocidente protestarem contra a irreverência com que se celebrava o nascimento de Cristo; e muitos cristãos da Mesopotâmia acusarem os irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol.
Portanto, independentemente da fé de cada um dos presentes, podemos celebrar este Natal de modo que nos torne capazes de participar na festa dos Homens, ao mesmo tempo, com alegria aceitamos a presença divina em todas as dimensões da nossa vida.
Feliz Natal!

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